Coco Chanel e suas lições de negócios
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| A estilista Coco Chanel e o seu lendário perfume Chanel nº 5: das mãos de Marilyn Monroe para as de Margot Robbie (Fotos: Reprodução). |
Coco Chanel: Estilista e mulher de negócios
Coco Chanel, o nome por trás de uma das marcas globais mais famosas e atemporais do universo do luxo, deixou lições de negócios que ainda inspiram empreendedores e executivos de todas as partes do mundo e diversas indústrias: inovação, simplicidade, construção de marca forte e visão estratégica, além, claro, do fator exclusividade.
Esta mulher, nascida no final do século XIX — época em que as mulheres vestiam espartilhos e todos os tipos de roupas e chapéus desconfortáveis, além de terem que depender de um homem para viver — decidiu que iria fazer do trabalho e do seu desejo por uma simplicidade elegante as metas da sua vida. A assim o fez, rompendo barreiras, aparentemente, intransponíveis, criando produtos relevantes para um público com alto poder aquisitivo e deixando, como legado, uma marca poderosa e lucrativa.
O legado Chanel
O legado de Chanel inclui o famoso perfume Chanel nº 5 (entre os aromas que ela experimentou, o que mais gostou estava num frasco identificado pelo número 5), que foi imortalizado por Marilyn Monroe e tem como garota-propaganda, hoje, Margot Robbie (O Morro dos Ventos Uivantes).
O "pretinho básico" (o little black dress), um vestido preto, liso e na altura dos joelhos (que, anos depois, foi reinventado por Givenchy — longo, sensual e minimalista — para Audrey Hepburn vestir em Bonequinha de Luxo).
O famosíssimo tailleur de tweed (quem nunca usou um desses ou, pelo menos, não o reconhece como sendo uma referência ao estilo de Chanel, quando vê uma mulher usando um?). A ex-primeira dama Jacqueline Kennedy era famosa por usá-lo.
Sem contar as famosas bolsas acolchoadas e os cabelos cortados um pouco acima dos ombros.
As lições de negócios atemporais de Chanel
Com uma determinação inabalável, muito bom gosto, uma visão à frente do seu tempo e um tino para fazer negócios e conexões pessoais com membros das classes sociais mais altas (incluindo alguns das casas reais europeias), Chanel deixou ensinamentos atemporais e aplicáveis, pode-se dizer, a qualquer área empresarial do nosso tempo. Confira.
Inovação e “Oceano Azul”
Chanel rompeu com padrões rígidos da moda feminina do seu tempo (espartilhos, vestidos volumosos, chapéus cheios de frivolidades) e criou peças práticas e confortáveis, abrindo um novo mercado para as mulheres modernas. Pode-se dizer que, se hoje, quase todo estilista sente-se livre para ousar em suas criações, parte desse mérito cabe àquela mulher que ousou mais do que os demais.
Na época de Chanel, o conceito de "Oceano Azul" ainda não existia, mas ela mostrou que já o conhecia ao redesenhar o mercado, encontrar o seu público-alvo (mulheres que queriam conforto e independência) e, por longos anos, nadar de braçadas quase que sozinha naquele mar aberto.
Networking estratégico
Inicialmente, através de Étienne Balsan, Coco teve acesso às mulheres da high society do ínicio do século XX, que seria o seu público comprador. Depois, através de Arthur “Boy” Capel, o grande amor da sua vida, Chanel conseguiu acesso a recursos para financiar e expandir seus negócios. A partir de então, essa mulher teve contato com, praticamente, todos os nomes importantes do seu tempo, incluindo aristocratas, políticos e militares.
Adaptação criativa
Observadora, Chanel buscou inspiração, principalmente, no guarda-roupa masculino, para criar peças confortáveis e femininas. Ela reinventou elementos existentes — como as blusas com listras azuis de marinheiros — com elegância e simplicidade (mas, não necessariamente, baratas).
Diversificação e Escala
Hoje, todo empresário de sucesso (como Michael Bloomberg) e todo livro de negócios (como A via expressa dos milionários) defedem que a diversificação e a escala são peças-chave para o sucesso empresarial.
Orientada, inicialmente, por Boy Capel, Chanel não só expandiu seus produtos de chapéus para roupas e perfumes como também criou joias e acessórios.
Além disso, ela não limitou a venda dos seus produtos ao espaço de suas boutiques francesas (por mais bem localizadas que elas estivessem), mas os levou para os Estados Unidos (flertou com Hollywood, inclusive) e outros países europeus.
Hoje, a marca Chanel pode ser encontrada em, praticamente, todos os cantos do mundo.
Leitura de tendências
A mulher entendeu o espírito do pós-Primeira Guerra Mundial e ofereceu roupas simples e funcionais para mulheres que ansiavam por emancipação. Numa de suas sacadas geniais de negócio, em 1915, ela abriu uma boutique de frente para o cassino de Biarritz, para atender as mulheres ricas tanto da França como de outros países europeus, que frequentavam o balneário.
Construção de marca forte
Criou sua própria identidade visual, como o logotipo “CC” entrelaçado, e produtos que atravessam gerações, como o perfume Chanel nº 5 (lançado em 1920) e o vestido "preto básico" (lançado em 1926). Até hoje, quando alguém ouve o nome "Chanel", imediatamente o associa ao universo do luxo.
Resiliência e adaptabilidade
Soube superar crises pessoais e históricas (como as que enfrentou depois da Segunda Guerra Mundial, por seu relacionamento amoroso com um membro do Exército alemão) e manteve-se relevante ao longo das décadas, até a sua morte, em 10 de janeiro de 1971, em seu apartamento localizado no hotel Ritz.
A Era Pós-Chanel
Depois do falecimento de sua fundadora, a Maison Chanel ficou alguns anos estagnada. As coisas voltaram ao seu rumo quando, em 1983, o comando da casa passou para as mãos competentes de Karl Lagerfeld, que não só reinventou a marca como manteve o legado da lendária estilista.
A manutenção dos princípios deixados por Coco Chanel — como inovação, simplicidade elegante, adaptação, diversificação, escala e construção de uma marca forte — e mantidos tanto por Lagerfeld como por Virginie Viard e, desde 2025, por Matthieu Blazy, garantiram que a Maison Chanel continuasse firme e forte e se mantendo como uma das maiores grifes independentes do mundo, com faturamento anual de cerca de US$ 19,3 bilhões, mais de 37 mil funcionários, presença em centenas de boutiques próprias, e referência mundial em luxo, exclusividade e rentabilidade.
A pergunta que fica é: Será que dá para usar parte ou todas as lições de Chanel em nossos negócios? Só experimentando, como ela fez, para descobrirmos, não é mesmo?
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Para entender um pouco mais sobre a vida de Chanel, sugiro que você assista ao filme Coco antes de Chanel (2009) e, se desejar, que leia o livro A Era Chanel, de Edmonde Charles-Roux; ambos são esclarecedores, com o livro abrangendo todas as fases da vida da estilista francesa e o contexto histórico em que ela viveu. E para ver as roupas dela num filme, assista o clássico A Regra do Jogo (1939), de Jean Renoir (um luxo só!)

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